A transformação no mercado de trabalho: o que os jovens podem esperar
- Projeto Resgate
- 6 de set. de 2018
- 4 min de leitura
Atualizado: 20 de set. de 2022

Em 2050 seremos 10 bilhões de pessoas, todas lutando por um lugar ao sol no mercado de trabalho. à medida que a população e a economia crescem e as tecnologias se desenvolvem, os empregos também serão reinventados. De acordo com o Page Group, 65% das profissões em 2050 ainda não existem hoje. Mas não é preciso olhar tão longe para sentir as transformações no mercado de trabalho. Elas jÔ ocorrem e vão acelerar no mesmo ritmo exponencial das mudanças que experimentamos em todas as Ôreas.
Em sua palestra sobre o profissional do amanhã, na Expogestão 2018, Gijs van Delft, presidente do PageGroup Brasil, apresentou números desses movimentos:
A troca de emprego estƔ acontecendo, em mƩdia, a cada dois anos;
57% dos empregos são vulnerÔveis às mudanças digitais;
70% dos lĆderes desejam novas formaƧƵes profissionais para o futuro.
Confira neste artigo o quanto o mundo estÔ mudando, o que os jovens podem esperare o que é necessÔrio fazer para se preparar para essa transformação no mercado de trabalho.
As novas tecnologias impactando os empregos e as relaƧƵes de trabalho
As profissões e as relações do trabalho são impactadas de forma intensa pelas novas tecnologias e pelo perfil mutante das novas gerações. Em torno de 30% dos empregos devem sofrer mudanças na próxima década com a extraordinÔria revolução tecnológica e digital. Isso nunca aconteceu de forma tão intensa.
Para se ter uma ideia desses impactos, de acordo com o Deloitte Insights Future of Work atĆ© 2020, 75% das empresas serĆ£o companhias que ainda nĆ£o existem. E atĆ© 2030, entre 400 e 800 milhƵes de profissionais vĆ£o perder seus empregos devido Ć Robótica e Ć InteligĆŖncia Artificial, segundo levantamento da consultoria McKinsey. O estudo analisou 800 profissƵes em 46 paĆses e constatou que atĆ© um terƧo dos trabalhos atuais poderĆ” ser automatizado em apenas 13 anos.
As profissões em extinção e as Ôreas do futuro
Ć certo que as inovaƧƵes tecnológicas vĆ£o acabar com muitos empregos e modificar outros, assim como a Netflix acabou com as vĆdeo-locadoras e os smartphones aposentaram cĆ¢meras, rĆ”dios, gravadores, calculadoras e tantos outros equipamentos. A boa notĆcia Ć© que nesta nova economia, surgirĆ£o novos negócios e novas oportunidades. Mas os profissionais terĆ£o que evoluir e se reinventar.
Entre as profissƵes fadadas Ć extinção devido ao incrĆvel avanƧo na capacidade de aprendizado das mĆ”quinas estĆ£o a de piloto de aviĆ£o, contadores e auditores, jornalista e corretor de imóveis e seguros. Entre as profissƵes em alta estarĆ£o a de fazendeiro urbano, desenvolvedor de tecnologia domĆ©stica, designer de realidade virtual, desenvolvedores e arquitetos de informação.
HaverÔ uma extinção natural de postos de trabalho e o surgimento de novos empregos que exigirão habilidades diferentes. Um exemplo é o do setor imobiliÔrio. Hoje jÔ hÔ aplicativos de aluguel, sites de busca de imóveis, assessoria burocrÔtica online, visitas virtuais. Assim o corretor, como o conhecemos, se tornarÔ praticamente obsoleto. Entretanto, nada substitui o relacionamento humano. Por isso, o mercado imobiliÔrio e todas as demais Ôreas irão precisar de profissionais estratégicos, capazes de utilizar as ferramentas e a criatividade para cativar os clientes.
Novas formas de trabalho
O profissional das geraƧƵes passadas tinha como objetivo conquistar um posto ou construir uma carreira estĆ”vel em uma empresa e permanecia dĆ©cadas, senĆ£o a vida inteira, no mesmo emprego. Nos dias atuais, o nĆŗmero de profissionais que trabalham por projetos estĆ” aumentando no mercado. SĆ£o os conhecimentos, as habilidades e os resultados alcanƧados que contam no currĆculo mais do que o CNPJ na Carteira de Trabalho.
Ainda segundo o Page Group, do total de trabalhadores no mundo:
Em 1995, os freelancers ou temporƔrios eram 11%;
Em 2016, passaram para 20%, mas em paĆses como Holanda e FranƧa, os profissionais com contratos por projetos jĆ” alcanƧam a faixa dos 40%;
E atƩ 2050, essa modalidade deve representar metade da forƧa de trabalho mundial.
No Brasil, a nova lei trabalhista ajudou a flexibilizar as relações do trabalho. Isso farÔ com que, naturalmente, aumente o número de temporÔrios. Diante disso, os profissionais devem refletir sobre o futuro e tomar decisões de carreira importantes como:
Estabilidade X Oportunidade de crescimento
SalÔrio X Propósito de vida
Como enfrentar esse novo mundo
Na palestra de abertura da Expogestão 2018, o embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magariños, um dos maiores especialistas mundiais sobre o impacto do futuro do trabalho, afirmou que devemos enfrentar essa situação de forma consciente e antecipada. Ele defendeu que empresas, instituições educacionais, governos e comunidade organizada precisam atuar juntos para criar um ambiente em que as pessoas possam estar preparadas para a transformação no mercado de trabalhoe desenvolvam novas competências.
Para o embaixador, Ć© preciso investir massivamente no sistema educacional, especialmente junto Ć s classes mais pobres. TambĆ©m argumentou que novas polĆticas pĆŗblicas e uma legislação trabalhista mais moderna sĆ£o necessĆ”rias para que a população possa se inserir nesse novo mercado de trabalho.
O Projeto Resgate é um exemplo perfeito de que o futuro do trabalho passa pelo acesso à educação de qualidade para todos. E considerando que vivências e propósito são grandes aliados de quem estÔ iniciando nesse ambiente desafiador, o Treinamento em Liderança Think Tank surgiu como uma continuidade e complementaridade deste projeto, onde executivos e empresÔrios fazem mentoria para capacitar jovens para inovação, transformação e responsabilidade social. à um ciclo de formação de profissionais e de lideranças comunitÔrias que se completa e que se retroalimenta, contribuindo para o desenvolvimento da economia e da sociedade.
Considerando esses exemplos e cenĆ”rios de transformação no mercado de trabalho fica claro que nĆ£o adianta lutar contra os avanƧos tecnológicos. O caminho Ć© aprender e se adaptar, desenvolvendo novas competĆŖncias, profissionais com foco em resultados, capazes de trabalhar com alto nĆvel de automação e novas tecnologias e com excelente relacionamento. Afinal, o talento humano sempre serĆ” o principal ativo das empresas, das instituiƧƵes e da sociedade.
Por Anderson de Andrade ā CEO da A2C, empreendedor, investidor e lĆder educador

