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A transformação no mercado de trabalho: o que os jovens podem esperar

Atualizado: 20 de set.


Inovação | Mercado de trabalho | Projeto social em Joinville

Em 2050 seremos 10 bilhões de pessoas, todas lutando por um lugar ao sol no mercado de trabalho. À medida que a população e a economia crescem e as tecnologias se desenvolvem, os empregos também serão reinventados. De acordo com o Page Group, 65% das profissões em 2050 ainda não existem hoje. Mas não é preciso olhar tão longe para sentir as transformações no mercado de trabalho. Elas já ocorrem e vão acelerar no mesmo ritmo exponencial das mudanças que experimentamos em todas as áreas.

Em sua palestra sobre o profissional do amanhã, na Expogestão 2018, Gijs van Delft, presidente do PageGroup Brasil, apresentou números desses movimentos:

  • A troca de emprego está acontecendo, em média, a cada dois anos;

  • 57% dos empregos são vulneráveis às mudanças digitais;

  • 70% dos líderes desejam novas formações profissionais para o futuro.

Confira neste artigo o quanto o mundo está mudando, o que os jovens podem esperare o que é necessário fazer para se preparar para essa transformação no mercado de trabalho.


As novas tecnologias impactando os empregos e as relações de trabalho


As profissões e as relações do trabalho são impactadas de forma intensa pelas novas tecnologias e pelo perfil mutante das novas gerações. Em torno de 30% dos empregos devem sofrer mudanças na próxima década com a extraordinária revolução tecnológica e digital. Isso nunca aconteceu de forma tão intensa.

Para se ter uma ideia desses impactos, de acordo com o Deloitte Insights Future of Work até 2020, 75% das empresas serão companhias que ainda não existem. E até 2030, entre 400 e 800 milhões de profissionais vão perder seus empregos devido à Robótica e à Inteligência Artificial, segundo levantamento da consultoria McKinsey. O estudo analisou 800 profissões em 46 países e constatou que até um terço dos trabalhos atuais poderá ser automatizado em apenas 13 anos.


As profissões em extinção e as áreas do futuro


É certo que as inovações tecnológicas vão acabar com muitos empregos e modificar outros, assim como a Netflix acabou com as vídeo-locadoras e os smartphones aposentaram câmeras, rádios, gravadores, calculadoras e tantos outros equipamentos. A boa notícia é que nesta nova economia, surgirão novos negócios e novas oportunidades. Mas os profissionais terão que evoluir e se reinventar.


Entre as profissões fadadas à extinção devido ao incrível avanço na capacidade de aprendizado das máquinas estão a de piloto de avião, contadores e auditores, jornalista e corretor de imóveis e seguros. Entre as profissões em alta estarão a de fazendeiro urbano, desenvolvedor de tecnologia doméstica, designer de realidade virtual, desenvolvedores e arquitetos de informação.


Haverá uma extinção natural de postos de trabalho e o surgimento de novos empregos que exigirão habilidades diferentes. Um exemplo é o do setor imobiliário. Hoje já há aplicativos de aluguel, sites de busca de imóveis, assessoria burocrática online, visitas virtuais. Assim o corretor, como o conhecemos, se tornará praticamente obsoleto. Entretanto, nada substitui o relacionamento humano. Por isso, o mercado imobiliário e todas as demais áreas irão precisar de profissionais estratégicos, capazes de utilizar as ferramentas e a criatividade para cativar os clientes.


Novas formas de trabalho


O profissional das gerações passadas tinha como objetivo conquistar um posto ou construir uma carreira estável em uma empresa e permanecia décadas, senão a vida inteira, no mesmo emprego. Nos dias atuais, o número de profissionais que trabalham por projetos está aumentando no mercado. São os conhecimentos, as habilidades e os resultados alcançados que contam no currículo mais do que o CNPJ na Carteira de Trabalho.

Ainda segundo o Page Group, do total de trabalhadores no mundo:

  • Em 1995, os freelancers ou temporários eram 11%;

  • Em 2016, passaram para 20%, mas em países como Holanda e França, os profissionais com contratos por projetos já alcançam a faixa dos 40%;

  • E até 2050, essa modalidade deve representar metade da força de trabalho mundial.

No Brasil, a nova lei trabalhista ajudou a flexibilizar as relações do trabalho. Isso fará com que, naturalmente, aumente o número de temporários. Diante disso, os profissionais devem refletir sobre o futuro e tomar decisões de carreira importantes como:

Estabilidade X Oportunidade de crescimento

Salário X Propósito de vida


Como enfrentar esse novo mundo


Na palestra de abertura da Expogestão 2018, o embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magariños, um dos maiores especialistas mundiais sobre o impacto do futuro do trabalho, afirmou que devemos enfrentar essa situação de forma consciente e antecipada. Ele defendeu que empresas, instituições educacionais, governos e comunidade organizada precisam atuar juntos para criar um ambiente em que as pessoas possam estar preparadas para a transformação no mercado de trabalhoe desenvolvam novas competências.


Para o embaixador, é preciso investir massivamente no sistema educacional, especialmente junto às classes mais pobres. Também argumentou que novas políticas públicas e uma legislação trabalhista mais moderna são necessárias para que a população possa se inserir nesse novo mercado de trabalho.


O Projeto Resgate é um exemplo perfeito de que o futuro do trabalho passa pelo acesso à educação de qualidade para todos. E considerando que vivências e propósito são grandes aliados de quem está iniciando nesse ambiente desafiador, o Treinamento em Liderança Think Tank surgiu como uma continuidade e complementaridade deste projeto, onde executivos e empresários fazem mentoria para capacitar jovens para inovação, transformação e responsabilidade social. É um ciclo de formação de profissionais e de lideranças comunitárias que se completa e que se retroalimenta, contribuindo para o desenvolvimento da economia e da sociedade.


Considerando esses exemplos e cenários de transformação no mercado de trabalho fica claro que não adianta lutar contra os avanços tecnológicos. O caminho é aprender e se adaptar, desenvolvendo novas competências, profissionais com foco em resultados, capazes de trabalhar com alto nível de automação e novas tecnologias e com excelente relacionamento. Afinal, o talento humano sempre será o principal ativo das empresas, das instituições e da sociedade.

Por Anderson de Andrade – CEO da A2C, empreendedor, investidor e líder educador

(https://www.linkedin.com/in/andersondeandrade/)

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